Planejamento da arquitetura técnica

Resumo

A necessidade de haver um planejamento da arquitetura técnica é bem conhecida por administradores, auditores e equipe técnica nesta era da informação altamente exigente e em constante transformação. Os impulsionadores comerciais dessa necessidade incluem o alinhamento da TI com a empresa e o controle de níveis e gastos com serviços. Essa discussão resume a primeira experiência de criar um plano tático de infra-estrutura de dois anos com a WSA (Windows Server Architecture) para um departamento de operações de computador. A arquitetura técnica é definida junto com a cobertura dos produtos entregues e dos desafios envolvidos.

A disciplina de planejar uma arquitetura técnica se tornou mais conhecida apenas recentemente. Portanto, ela não é muito bem compreendida devido à falta de experiência, de treinamento e até mesmo de literatura. O planejamento da arquitetura técnica, quando feito corretamente, tenta abrir todos os aspectos do ambiente atual e mapeá-los em um estado desejado e consistente com a empresa. Ele tende a criar uma ampla variedade de dúvidas e problemas, alguns sobre os quais nunca se pensou antes: políticos, comerciais e outros. À medida que você tenta esclarecer a visão e o escopo do planejamento da arquitetura, encontra resistência devido a entendimentos ambíguos ou agendas ocultas. Você pode até ter alguma resistência ao saber quem você é ou de onde está vindo.

Partir do pressuposto de que a visão e o escopo do planejamento de arquitetura estão de acordo não é uma garantia para uma participação forte, aberta e integral na equipe de operações. As vantagens de divulgar informações devem pesar mais do que o custo de revelar pontos fracos e vulnerabilidades dos quais apenas a equipe operacional tem conhecimento. Depois que o ciclo de planejamento está concluído e se comprova que a participação é recompensada mediante a alocação de orçamentos e recursos é que você pode esperar mais participação nos ciclos subseqüentes. Estando em desvantagem no primeiro, você precisará fazer com que a mensagem seja ouvida por todos, e que a administração a transmita com clareza. Para ser bem-sucedida, a administração deve destacar claramente as vantagens do planejamento de arquitetura desde o início.

Como pode ser visto, você tem uma divisão justa de desafios já ao iniciar o processo de planejamento de arquitetura, mais desafios ao manter a participação da equipe operacional e outros desafios ao obter o suporte da administração. E, se seguir o modelo de supervisão dos planos de ação de acompanhamento, como descrito posteriormente, você poderá parecer um policial ou um auditor.

A única maneira de esse esforço ser bem-sucedido é mostrar e provar as boas intenções. A administração, que geralmente fornece a diretiva para essa atividade, junto com a equipe de arquitetura, deve convencer a equipe que essa atividade não tem a ver com exposição, mas com a criação de um ambiente operacional melhor e mais efi ciente que melhor atenda aos interesses da empresa. No final, todos saem ganhando, mas à custa de aceitar as mudanças e eliminar as defesas e os obstáculos.

Dando vida

Acima de tudo, os membros da equipe de arquitetura são facilitadores. Eles devem trabalhar com a equipe operacional para compreender o ambiente atual. Na realidade, a equipe operacional deve ser a arquiteta do ambiente atual, pois o conhece melhor do que ninguém. A equipe de arquitetura deve trabalhar com a empresa e com outros planejadores corporativos para incorporar a estratégia e a direção do negócio com as quais a TI deve entrar em sintonia. A equipe deve trabalhar com a administração para compreender as táticas e as restrições e conseguir suporte. Ela também deve incorporar a perspectiva das práticas recomendadas da indústria, englobando estrutura, tecnologia, processos e pessoas. A equipe de arquitetura precisa reunir tudo isso em um plano realista e exeqüível.

A arquitetura e o planejamento geralmente fornecem uma visão de um estado futuro que traduz algum tipo de necessidade ou desejo. Se estamos falando de uma casa, por exemplo, o arquiteto desenvolve um plano detalhado que atende às orientações do proprietário. Se estamos falando de um modelo a ser usado em uma comunidade de desenvolvimento, então estamos falando de um padrão a ser seguido para manter um orçamento específico e uma aparência geral. As orientações e as exigências do proprietário neste sentido também poderiam ser pensadas como um padrão para o construtor. Para dar vida a um projeto arquitetônico, é necessário projetar e seguir um projeto de construção bastante complexo. A beleza da casa no papel não significa nada até que o proprietário possa vê-la ao vivo e a cores.

Dessa forma, faz sentido pensar no planejamento arquitetônico como um processo que converte um conjunto de orientações e exigências em padrões que os construtores possam implementar. Se já existe uma construção, a arquitetura significa projetar novas exigências e aprimoramentos na estrutura existente.

O mundo técnico ainda não aprendeu o suficiente com a indústria bem-estabelecida da construção civil. As funções do proprietário, do arquiteto, do construtor e do supervisor são bem conhecidas na obra, mas não na área técnica, particularmente a função do inspetor. Na indústria da construção civil, o construtor quase sempre é uma entidade diferente do arquiteto. O supervisor também poderia ser uma entidade independente, mas freqüentemente é igual ao arquiteto, e ambos agem em prol do proprietário e devem aprovar o trabalho do construtor.

Nós da área técnica precisamos delegar autoridade aos arquitetos e permitir que eles assumam a função de inspecionar e supervisionar a implementação dos planos de arquitetura. Na TI, os patrocinadores do projeto geralmente são os proprietários. Os arquitetos devem agir em nome deles e assumir a responsabilidade sempre que for necessária autoridade. Com essa nova visão do processo, o planejamento arquitetônico não apenas é responsável por produzir plantas e padrões, como também deve ser responsável por supervisionar a implementação dos planos de arquitetura.

Como os arquitetos representam os patrocinadores executivos neste modelo, eles precisam estar conscientes do caso de negócio e devem identificar as recomendações de ações e definir as prioridades de acordo com isso. O patrocinador executivo é, no final das contas, responsável pelo processo arquitetônico e por sua implementação bem-sucedida.

Para resumir, o planejamento da arquitetura deve dar conta destes cinco aspectos: padronização, aprimoramentos, supervisão de implementação, prioridades orientadas a negócios e acompanhamento da administração; e podemos defi ni-lo desta forma: o planejamento da arquitetura técnica é um processo patrocinado pela administração executiva que converte as atuais necessidades comerciais, os desafios e os desejos em um conjunto priorizado de padrões, planos e itens de ação, que recomendam e supervisionam os aprimoramentos de serviço levando a uma melhor experiência do cliente e à excelência operacional.

O que é e o que não é

A arquitetura técnica visa a edificar a capacidade e a maturidade do serviço. Tem a ver com modelos, padrões e ações (aprimoramentos).

Trata-se de uma especificação de solução de alto nível, mas não é uma especificação de projeto. As especificações de solução são como definir o orçamento e o tamanho do terreno no projeto de uma casa em uma comunidade de desenvolvimento, sem entrar em suas especifi cações de layout. Depois de aprovados, os projetos de implementação e acompanhamento são geralmente sustentados para novos serviços ou reformas de grande escala.

A arquitetura técnica não é simplesmente um diagrama do Visio de configurações do servidor de arquivos. A arquitetura é, não importando se é utilizado um espaço de nome lógico no servidor de arquivo (como o Sistemas de arquivos distribuídos), se é seguido um modelo de gerenciamento centralizado ou distribuído; ou se é utilizado um modelo de hospedagem compartilhada de acesso livre para os bancos de dados ou para os sites na Internet. Esses tipos de decisões têm conseqüências de longo alcance e, portanto, são decisões de nível de arquitetura.

A Arquitetura técnica tem a ver com processos, com certeza. Na realidade, é freqüentemente o processo, e não a tecnologia, que pode fazer ou arruinar um serviço. Os processos geralmente envolvem problemas com as pessoas, os quais implicam questões políticas e, às vezes, são o aspecto mais perigoso de todos. Pior ainda é quando o sistema não conta com um sistema de limitações e inspeções na hora em que se trabalha com esses problemas.

A arquitetura técnica tem a ver com medidas. As pessoas devem sentir que as medidas são criadas para ajudá-las, e não para expô-las. A administração deve tornar suas intenções tão claras quanto o cristal, para ganhar a confiança e o total empenho da equipe.

Somente então vamos ter a chance de fazer as coisas funcionarem. A administração deve transmitir as razões para a existência dessas medidas, que incluem a percepção, ou a consciência, do quão distante estamos, o aprimoramento para atingir as metas e a avaliação do que é necessário. A administração também deve evitar o constrangimento público colocando um tempero positivo nos relatórios públicos, tais como o “aumento das percentagens no último período”, mantendo os relatórios absolutos na esfera interna da empresa até que os números estejam próximos às metas do KPI (Indicador Principal de Desempenho).

A administração deve provar as boas intenções obtendo os recursos necessários ou aceitando um progresso mais lento e resultados de menor impacto.

A arquitetura técnica tem a ver com automatização. Essa é a chave para a eficiência, para os processos determinantes e para a estabilidade. A automatização dá à equipe de operações mais tempo para se focar na análise e na otimização, que são a base para o aprimoramento do serviço.

A arquitetura técnica também tem a ver com monitoramento. A única maneira de estar no controle é olhar constantemente para a estrada e para as placas de sinalização. A arquitetura fornece um esquema e garante que você vai ver os avisos certos. Também o ajuda a criar um sistema de alertas e dimensionamentos – possivelmente uma reação corretiva automatizada.

A arquitetura é um ciclo contínuo como assegurado por muitas estruturas, como a Microsoft Operations Framework, o ciclo de Deming e o ciclo COBIT/administração. É basicamente uma fase de planejamento seguida por operações monitoradas, cuja aprendizagem promove a otimização e os aprimoramentos em um novo ciclo.

Documentando o plano

O corpo principal do plano tático da WSA encontra-se nas disciplinas da área funcional, como os serviços de hospedagem da Web, os serviços de diretório e assim por diante (veja o texto no quadro, “Plano tático para a Windows Server Architecture”). O esquema do servidor se aplica a mudanças específicas de tecnologia no período tático. A última seção, produtos entregues de consolidação, coleta as recomendações do plano de ação de todas as seções e os categoriza em três áreas para ajudar nos projetos de acompanhamento: infra-estrutura, desenvolvimento, políticas e processos.

O corpo principal da arquitetura do serviço de cada disciplina – os serviços de hospedagem da Web, os serviços de diretório e assim por diante – encontra-se na seção de conceito de solução, que é dividido nas arquiteturas de serviço e tecnologia as quais são, por sua vez, baseadas na MOF (Microsoft Operations Framework). A introdução inclui seções de contexto, impulsionadores comerciais, objetivos e escopo, e estabelece objetivos como o número de 9s na alta disponibilidade, entre outros itens.

O resumo executivo tem uma página de extensão e é fornecido “no estado em que está”, demonstrando os benefícios em potencial, as metas e a abordagem, além das recomendações mais significativas do plano de ação. As recomendações do plano de ação são, provavelmente, o resumo mais importante de todas as especifi cações de solução e métricas de sucesso, pois a equipe operacional estabelece as prioridades e os prazos e indica na coluna recursos/habilidades se eles mesmos podem fazer o trabalho ou se precisam terceirizar o serviço (consulte a Tabela 1).

Estabelecer o planejamento da arquitetura como disciplina e função é algo que compensa mesmo antes de encerrar o primeiro ciclo tático.

É uma alegria muito grande ver a conclusão do plano e o início da ação. Esse resultado não acontece sem custo ou esforço e depende do trabalho em equipe entre todos os participantes.

Sobre o autor

Waleed Nema é líder de equipe no planejamento da arquitetura técnica do Windows no departamento de operações de computadores, na Saudi Aramco. Pelo grande sucesso deste projeto, Waleed gostaria de agradecer a administração da empresa, a equipe operacional e o grupo de arquitetos.

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